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Nas trilhas da Chapada Diamantina

A natureza foi no mínimo paradoxal comigo. Afinal a vontade que tenho de desbravar paisagens de difícil acesso é quase tão intensa quanto minha preguiça de fazer exercícios. Nessa luta de medir qual vocação é mais forte, acabei decidindo ir pra Chapada Diamantina e duas outras aventureiras acidentais resolveram ir junto.

DIA 1 / RIO – SALVADOR – PALMEIRAS – CAPÃO

Aproveitamos uma promoção de bilhetes e saímos do Rio rumo a Salvador.De la pegamos o ônibus Salvador – Palmeiras de 16:30, 8h de viagem com finalidade de chegar no Capão. Quando chegamos a pousada tinha reservado um carro pra nos buscar. Geralmente tem taxi (10 REAIS por pessoa), mas nesse horário de noite tem que pedir pra pousada mandar alguém (20 REAIS por pessoa). Mais 40 min de saculejo até a pousada Tatu Feliz (40 REAIS / pessoa). É uma excelente opção, bem no centro (?!). Sim, o Capão tem centro. Algumas pousadas ficam dentro da mata e de noite fica complicado sair pra comer. A pousada faz os passeios, mas opções não faltam por ali.

DIA 2 / CAPÃO – CACHOEIRA DA FUMAÇA – CAPÃO

Fizemos a famosa trilha e já tivemos uma prévia do que estava por vir. Sem preparo físico, já ficamos com dores nas pernas. O visual na Fumaça é lindo, por isso é um dos cartões postais da Chapada. A diária do guia na região é de em media 120 REAIS. Essa trilha é bem tranquila de fazer sozinho, mas galera vamos incentivar o turismo local, adote um guia. Afinal, o que alguém pode fazer ali a não ser trabalhar com turismo ?

DIA 3 / CAPÃO – VALE DO PATI

Acordamos bem cedo, tomamos o super café da manhã da pousada (muito bom mesmo) e fomos de carro até o ponto de inicio da trilha, distante uns 15 min da pousada. Já no inicio começamos a subir, subir e …subir . Eram 21 km, mas a distância não foi o problema, realmente não sabia que seria tão desnivelado. Sobe e desce o tempo todo. Chovia há uns três dias e a trilha era praticamente lama pura. O tênis da Thiene foi descolando pelo caminho (pegamos os pedaços pelo menos pra não poluir o parque). Por causa do sapato ela começou a forçar a perna querendo pisar devagar e, claro, ferrou o joelho. A partir daí começamos a andar bem mais lento do que deveríamos.

Passamos no Gerais dos Vieira, só lama o tempo todo. Depois mais uma subida intensa, uma nova planície e daí começou a pior parte. Depois de 5h de caminhada, a descida do paredão, o quebra bunda. Geralmente essa descida se faz em 40 min e até o vale, até chagar ao vilarejo mais uns 30 min. Como estávamos devagar por causa da lama, perdemos a hora. Pronto, ferrou tudo, escureceu na trilha e começou a chover.

Não tinha luz da lua e não víamos um palmo diante do nariz. Velocidade de tartaruga a partir dai. Só os vaga-lumes, bem numerosos alias, iluminavam um pouco o breu. Erro estratégico, não levamos lanterna, só o guia tinha a dele. Foram alguns momentos de pequeno terror, ainda mais quando passamos na parte da trilha completamente tomada por formigas grandalhonas. Só vimos as bichanas quando começaram a picar. Nessa parte nem a lama impediu que saíssemos correndo.

Resumo, chegamos na casa da Dona Raquel às 22h, com 4h de retardo. Todo mundo já tinha ido dormir. Mas super simpáticos e acolhedores, vieram preparar nosso jantar. Enquanto isso tomávamos aquele banho gelado. Algumas casas são equipadas com painel solar, mas não da pra rodar um chuveiro elétrico. Alguns tombos na lama, dores no corpo e, como o pé ficou molhado o tempo todo, muitas bolhas. A noite foi longa e quando saímos de madrugada pra dar uma olhada o céu estava todo estrelado, nem precisava de lanterna com a luz da lua. Bom sinal de que ia fazer sol no dia seguinte.

DIA 3 / VALE DO PATI – GUINE – LENÇÓIS

Acordamos com um belo dia de sol e tomamos o café (moído la no vale mesmo, muito bom). A diária na casa do pessoal custa 60 REAIS por pessoa, com as refeições inclusas. Tudo é bem limpo, quarto coletivo, mas so tínhamos nos três. Roupa de cama e toalha de banho incluso.

Minha amiga não tinha condições de seguir, então conseguimos um cavalo e ela foi por outro lado (150 REAIS pelo Alazão). Eu tive vontade de chorar quando o guia disse que teríamos que fazer o paredão de volta. Só que agora subindo !!!! Lama e mais lama no meio do caminho, até o cavalo ficava puto de ter que passar ali. Na base do morro o cavalo segue por outro lado.

O rochedo é assustador, parece impossível subir porque não da pra ver o caminho que fica escondido nas fendas e no meio da vegetação. Medo total, mas chegamos. 15 km depois e outras varias bolhas descemos em Guine, onde um carro nos esperava pra levar até Lençois (2h de viagem). Esse trajeto custa 250 REAIS, a estrada é meio perigosa, com alguns buracos. Chegamos em Lençois de noite, no hotel Canto das Águas, com lama até o pescoço fomos recepcionadas com honras e pompas na recepção. Hotel muito bom e acolhedor, é sem duvida o melhor da cidade, mas também não é barato. Existem varias opções econômicas na cidade.

Depois de nos recompor com o banho, optamos pela melhor forma de confortar a alma : camarão com um espumante bem gelado. Ficamos mais 2 dias, daí só aproveitando a cidade porque a cota de trilha se esgotou.

 

Conclusão :

Se você fica no seu limite físico, não aproveita a paisagem.

Não esta preparado, não faça a trilha do Pati porque é muito desnivelada. Algumas subidas são quase escaladas.

Não faça trilha com tênis novo porque da bolha, mas também não faça com tênis antigo. A cola pode estar seca.Faça como os gringos, sempre bem equipados. A gente nunca sabe das emergências.

Se tiver mais tempo, faça em 3 dias a travessia. Assim tem pelo menos um dia pra aproveitar o vale.

ONDE DORMIR ?
Capão :Pousada Tatu Feliz

40 REAIS / pessoa

Lençóis Canto das Águas

Depois do trekking faz bem dormir bem. O melhor hotel da cidade fica bem no centro. Diàrias em torno de 300 reais.

Sobre Nivea Atallah

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Jornalista de formação e mochileira por vocação.

4 comments

  1. Avatar

    Muito Bom Esse Lugar!
    Tive o Privilégio de Morar Nessa Região Na Cidade de Iraquare e Realmente é Um Paraíso Esse Lugar, Parabéns Pelo Post!

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    Essa região é mágica !!! Estivemos lá no ano passado e fico com vontade de voltar para explorar outros locais que não visitamos (fizemos o percurso Guiné-Andaraí). Parabéns pelo relato e fotos
    Abraços

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    A Chapada é mágica!
    Muito bom esse blog… ainda não vi tudo, mas pelo pouco que passei eu curti!

    Também estou com um blog de uma trip que vou fazer pro Nepal. Também falo sobre montanhas e essa mágia de viajar!
    http://diariodohimalaia.tumblr.com/

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